10 de set de 2015

O último beijo

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Descia nervosa pelo caminho que fiz durante os últimos turbulentos anos de minha vida, avistei você e você sorria discretamente por me ver, foi estranho, mas não senti aquela sensação de alivio que sempre sentia ao te encontrar, te abracei para não precisar cumprimentar e para me afogar em teus braços antes de me afogar em minhas lagrimas.

Eu sabia que ia chorar, mas não na sua frente e não por você, mas por mim. Não por tristeza e sim por aquele sentimento inominado que temos quando algo bom se acaba, como quando uma banda que gostamos muito se separa, sabia que seria difícil para mim, mas minha preocupação era como você ia reagir.

Você me perguntou o que eu tinha, mas não quis dizer, teus olhos me contaram que de alguma forma você já sabia, passamos horas contando as novidades rotineiras e rimos mais do que o normal, engraçado. Mas você me tratou melhor do que normalmente tratava, talvez fosse a saudade ou no fundo você também já tivesse aceitado que tínhamos chego ao fim.

Perto de nossa despedida segurei forte sua mão e desabei minhas decisões em cima de você com toda a segurança de quando as tinha tomado longe de ti, eu já havia me despedido e encerrado nosso “caso” milhões de vezes, mas por algum motivo dessa vez aceitamos.

Você me abraçou forte, me deu um beijo na testa e disse que sempre seria a mulher da sua vida, senti tuas lagrimas tão presas quanto as minhas e as milhões de palavras engasgadas na garganta saltando como pipoca na panela quente. 

Não houve pedidos para pensar nem para conversar com mais calma, éramos um pseudo casal no metrô se vendo pela última vez com o mesmo amor e o mesmo calor da primeira vez.

Fomos embora tão apaixonados como quando chegamos, com uma bagagem maior, uma dose extra de amadurecimento e com a certeza de que ia deixar saudades.


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