10 de set de 2015

Por menos amores eternos e mais amores leves



Eu me lembro como nos conhecemos. Estudávamos na mesma escola, morávamos no mesmo bairro e tínhamos os mesmo amigos. Eu não vou dizer que você foi o  meu primeiro amor da adolescência, porque eu amei muito nessa época. Eu era criança e tinha o dom de me apaixonar perdidamente pelo garoto mais bonito - ou nerd - da sala e para minha sorte todo ano estava em salas diferentes. 

Todos crescemos, poucos amadurecemos, muitos tiveram filhos e alguns já concluíram a faculdade. É legal pensar em como a vida dá um rumo diferente para cada um depois do colégio. Eu nunca mais soube de você. Te encontrava em alguns lugares mas nunca disse absolutamente nada, não pensei que fosse se lembrar porque já fazia muito tempo. Mas a cada ano que passava você ficava mais bonito. Até que um dia reencontrei alguém que te conhecia. Seu melhor amigo acabou se tornando meu melhor amigo também. 

Aliás nós viramos grandes amigos. Íamos ao bar com a mesma frequência que trocávamos de roupa. Falamos de ex namorados e fizemos promessas para nunca mais amar ninguém, porque amar dói. Isso aconteceu na mesma frequência que um tornado passava em algum lugar da Ásia. Porque tudo mudou a partir do momento que você me pediu um beijo. Eu não pensei muito, eis aí mais um dos meus dons adolescentes que não abandonei. Senti seu abraço apertado, seu beijo suave e seu coração acelerado. Quer saber, esquece toda aquela conversa de não se apaixonar de novo.

Mas para o meu azar você foi embora da mesma forma que chegou, sem aviso e com pressa. Não te culpo pela partida, assim como não me culpo por não ter feito você ficar mais. Seu cheiro ficou guardado na minha memória e sua camiseta xadrez continua guardada no meu armário. Nossos amigos dizem que somos um só quando estamos juntos. Não discordo, mas não devo concordar porque isso seria o mesmo que aceitar que você deveria ter ficado. Nós nos encontramos mais algumas vezes, ficamos tantas outras e discutimos outras inúmeras.

Sou inconstante, independente e já fui perdidamente apaixonada. Acreditei em príncipes que provaram ser sapos. Deixei alguns partirem, com seus cavalos brancos e cabelos ao vento, acreditando que fossem como todos os outros. São tantas idas e vindas, tanta bagunça, tanta confusão emocional.

Já amei.

Já sofri.

Já me recriei

Me reinventei.

Me refiz por inteira. 

Hoje eu só posso agradecer, por você ter me mostrado que - como diria o mestre - a vida pode ser melhor mesmo sendo tão louca. 



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