amor

Você tem sido pra mim, o que ele tem sido pra você: infindável

13:14

Untitled

Eu via a dor nos seus olhos e queria ser o lembrete de que ela é passageira, então você trava o celular e suspira que está tudo bem. Nós dois sabemos que não está, mas eu já me acostumei com a ideia de que logo vai ficar. Dá ultima vez a cena foi quase à mesma, você destravou a tela, assistiu o teatro repetido e voltou pro meu colo com o sorriso insistindo o disfarce. Depois sussurrou baixinho “me desculpa por isso”, enquanto eu sentia o meu ombro molhar.

Eu sempre soube dele, mas ao contrario de você, eu não fingia o contrário.

São quase dez da noite e você continua rindo como se fosse natural, enquanto os olhos marejam sempre que o silencio insisti em aparecer, mesmo que por segundos. Sinto seu incomodo sempre que te toco, mas você pede pra eu não parar. No quarto éramos dois, na cama parecíamos três. Então eu peço pra você se acomodar do meu lado, e algo faz as lágrimas não te obedecerem mais. Você insiste no “me desculpa por isso”, e eu continuo em silêncio.

Eu sempre soube dele, mas ao contrario de você, eu não fingia o contrário.

Quando te vi no bar, fiquei te olhado fixo um tempo. Não por flerte mas por simplesmente não conseguir evitar. Você sentou-se à mesa sozinha, suas amigas riam de alguma piada sua, ou de você, enquanto cantavam Charlie Brown Jr no karaokê. Você parecia gostar e odiar ao mesmo tempo, mas embalava sentada á mesa. Eu estendi um copo de-qualquer-coisa pra você, e disse meu nome, você sorriu e disse “não bebo, obrigada”. 

Depois de conversamos um bom tempo ao som das musicas sendo cantadas pessimamente pelas suas amigas e as pessoas do bar, eu tentei o beijo. Você negou, dizendo que “não fica com ninguém no role”, e eu me perguntei secretamente o que você estava fazendo ali, se não bebia e não beijava. Você me olhou e eu estendi meu celular, implorando secretamente pra que você anotasse o telefone certo. 

Quando terminou de anotar, a mesma musica do Charlie Brown Jr começou no karaokê, você olhou pras suas amigas e disse “qual o problema de vocês? Me deixem!” e elas riram, enquanto uma cantava desafinada “se não você quem vai me fazer feliz?” e as outras gritavam “GUERRA”, te olhando ao gargalhar.

De lá pra cá eu nunca fingi não saber. Como quando você insistiu que ia ver as meninas, numa quarta à noite, e sumiu por dias.

E eu só aceito porque sou o único que consegue te entender. Toda vez que eu te toco, toda vez que você vem, toda vez que você some, toda vez que meu peito aperta, eu tenho medo que você volte pra ele. E quando você se desdobra, implora desculpa, promete que não vai se repetir, eu fico pensando quando é que esse teu coração vai parar de insistir. E só espero que seja logo.


You Might Also Like

0 comentários

Comentários

SUBSCRIBE

Todo o conteúdo é criado pela equipe do blog e qualquer cópia total ou parcial deve ser creditada ao seu devido autor. - See more at: http://www.raiannymartins.com/2014/03/cartas-para-o-meu-primeiro-amor-mais-um.html#sthash.F1Ctpv9o.dpuf
Todo o conteúdo é criado pela equipe do blog e qualquer cópia total ou parcial deve ser creditada ao seu devido autor. - See more at: http://www.raiannymartins.com/2014/03/cartas-para-o-meu-primeiro-amor-mais-um.html#sthash.F1Ctpv9o.dpuf

Todo o conteúdo é criado pela equipe Idealiizar e qualquer cópia total ou parcial deve ser creditada a seu devido autor. Todas as opiniões aqui expressas são de total responsabilidade de seus autores. Declaro que as imagens aqui utilizadas não são de minha autoria, salvo exceções, e que qualquer problema relacionado ao uso indevido de imagem deverá ser encaminhado para idealizar.me@gmail.com.