28 de out de 2015

Por trás de um "tô com saudade" tem alguém sorrindo pela lembrança tua

Imagem de girl, bed, and sad

Hoje deu tudo errado.

O café ficou amargo, descobri que comprei manteiga sem sal e alguém tinha deixado a torrada murchar. Não encontrei um par de meias sequer e me obriguei a calçar um pé de cada, depois que cheguei no metro descobri que meus sapatos ficariam melhor sem eles. Meu fone parou de funcionar de um lado só, um vendedor ambulante teve a capacidade de me empurrar contra a multidão umas quatro vezes enquanto gritava "salgadinho só um real".

Meu chefe chegou me cobrando um relatório que já havia sido pronto, impresso e deixado em sua mesa, mas a secretária teve a capacidade de jogar café por cima - sabe lá porque. A impressora deu pau, meu computador deu pau, minha cabeça já estava dando pau e meu chefe com cara de quem tava com vontade de me dar com um pau.

No almoço todo mundo decidiu comer sushi, ou qualquer uma dessas coisas que fazem meu estômago revirar só de imaginar. Não me deixaram comer sozinha. Fui chamada de chata, antipática e sem paladar refinado. Fui comer comida crua. Engoli vários daqueles rolinhos imersos em um molho nojento meio agridoce. Tomei três saquês pea ver se aquela gorogoba descia. Fiquei rubra.

Na volta, uma reunião-monólogo de três horas seguidas e nem sinal do meu aumento. Meu estômago borbulhava e nem toda pasta de dente com sabor de menta e enxaguante bucal sem álcool tiravam aquele gosto horrível de mim.

Depois tomei chuva, porque guarda-chuva é uma coisa pesada demais para ficar carregando por aí. Peguei uma gripe, porque comida crua tem que tipo de vitaminas? Cheguei em casa morrendo de dor de cabeça e lembrei que havia esquecido de comprar açúcar pro. café de amanhã. Geladeira vazia, chuveiro indeciso entre congelar ou queimar meu couro cabeludo e um cocô que cachorro grudado no meu par de sapatos preferidos.

Eu só queria desaparecer aquele dia.

Me enfiar debaixo das cobertas e acordar só na semana seguinte.

Só quando meu café tivesse açúcar.

Deitei no sofá da sala, com preguiça até de ligar a TV. Meu celular tocou e tive vontade de jogar longe. 

Uma mensagem sua. 

O coração acelerou, o dia clareou e eu finalmente aprendi: não existe dia ruim quando, ao final dele, você aparece pra me dizer que está com saudade.




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