30 de out de 2015

Sex of bar - Hoje eu não vou me importar

Imagem de couple, sexy, and black and white

Da primeira vez que eu te vi já sabia o que viria a seguir. Eu senti, como aquela cólica menstrual que insiste em aparecer todo dia cinco, que ia doer. Atrás de você vinha um comboio de caminhões pipa que traziam toda a decepção que eu sentiria em breve ao lembrar de você.

Ao ouvir nossa música preferida. 

Ao ver uma foto nossa grudada na parede do meu quarto. 

Você ia me decepcionar, mas naquele dia isso não importava tanto.

Eu estava com desejo do seu corpo, dos seus beijos e do cheiro do seu suor misturado com cigarro barato que invadia minhas narinas pela manhã. Eu só queria poder sentir suas mãos puxando tufos do meu cabelo todo desgrenhado, sua cintura indo de encontro com a minha e o vai e vem dos nossos quadris até a manhã seguinte. Ou até a hora seguinte porque você não iria ficar até de manhã.

Eu não liguei de acordar sozinha as seis e meia da manhã num motel barato e a camareira batendo desesperadamente na porta. Nem se eu teria que recolher toda a minha moral junto com minhas roupas que jaziam pelo chão do quarto. Não me importei de ser só sexo para você. Não me importei com a dor da sua partida, porque eu já sabia que ela viria. Como se a cavalaria chegasse antes para me alertar de que o rei estava próximo e exigia seus direitos fiscais sobre meu corpo.

Com aqueles olhos claros, numa boate qualquer, um drink na mão esquerda e minha cintura na outra. Sua respiração acelerada no pé do meu ouvido e a vontade de sair logo dali.

Pouco importava seu sobrenome, seus interesses, sua profissão, se também torcia pro Flamengo ou preferia o Vasco. Se viria carregado se esperança de uma ligação no dia seguinte ou apenas mais um caso das noites cariocas. Se gostava de lado, de frente ou no chuveiro - embora isso eu estivesse prestes a descobrir. Pouco me importava de onde você vinha, pra onde iria e se talvez quisesse me levar pelo caminho.

Como boa escorpiana que sou te peguei pelos dedos e fui em direção a saída. Minhas amigas não iam se importar do meu sumiço repentino, elas entendiam que eu precisava ser assim. Sem jeito, sem pudor, sem controle de desejo, sem medo.

No outro dia três batidas na porta.

- Tá tudo bem aí minha filha?

- Tá sim Dona Maria, cinco minutos e eu já libero o quarto.


Um comentário:

  1. Muito bom este texto, bem criativo, você escreve muito bem, parabéns.

    Arthur Claro
    http://www.arthur-claro.blogspot.com

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Comentários