17 de nov de 2015

Aquele beijo

Imagem de love, kiss, and couple

Eu tinha medo de acreditar que aquilo tivesse acontecido só pra mim, era quase entrar em declínio negar; a mão suando, a perna balançando, e eu agindo como se nada tivesse acontecido. 

Minhas costas no carro gelado, a escola de samba batendo no peito.

Era impossível escutar o som da minha própria voz (como se eu tivesse muito a dizer). 

O mundo tem um jeito peculiar de girar e nos fazer trocar de posição, nos minutos em que permaneci na cama com seu cheiro na minha roupa, eu estava de ponta-cabeça. Nenhuma peça complementar, nada que explicasse minha insensatez. 

Talvez eu saiba. 

Quando o pensamento faz uma volta concreta sobre todos os detalhes, e nos faz assistir de novo, o que já foi, é quase um aviso do peito sobre como as coisas são quando ele se preenche. Eu repetia "eu continuo vivendo de momentos", e dentre todos, aquele.

Findo minhas tentativas, é quase impossível descrever a abundancia que minha vida tomou depois dos lábios terem encontrado o caminho mais perto pro paraíso. Era quase desatar meus próprios laços com o que eu realmente considerava maravilhoso. 

De repente todo aquele gosto doce que minha fruta favorita tinha, o prazer abusivo de quando saltei de para-quedas, as vezes em que deixei a chuva molhar, não eram mais as minhas coisas prediletas do mundo. 

Eu poderia insistir nelas, quantas vezes fosse, mas naquele minuto, naquele miserável minuto, eu sabia qual era a minha coisa favorita do mundo. 

Aquele beijo.


2 comentários:

  1. Certos momentos deixam marcas maiores do que se um ferro em brasa encostasse em nossa pele. Beijos ou até mesmo um simples abraços. Atitudes que nos fazem voar além do que o esperado.

    Belo texto!

    beijos
    http://jurodemindinho.blogspot.com.br

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Comentários