amor

Cartas para o primeiro amor - mais um sobre você

14:45

Imagem de cigarette, coffee, and smoke


Aquela noite era uma das raras sextas feiras que decidi ficar em casa ao invés de me aventurar pelas ruas da cidade de São Paulo. Peguei uma xícara de café quente, acendi um cigarro e procurei um livro na minha prateleira. Eu estava entediada, confesso. Para mim era muito mais fácil enfrentar a imensidão à solidão. Minha mente é turbulenta demais, com pensamentos demais e soluções de menos. Por isso eu sempre escolho um copo de vodka gelada e uma cama qualquer para dormir no final de semana. Me mantém distante das lembranças.

Mas hoje era diferente. Estava sozinha e me forçando a gostar da minha solidão. Peguei meu notebook e deixei uma página em branco aberta na esperança de que algumas palavras pudessem sair de mim da mesma forma que o álcool saía todo sábado de manhã. Mas não consegui vomita-las. Elas ficaram entalada na minha garganta e eu as afoguei com um gole enorme de café.

Abri o Facebook e seu nome foi o primeiro que apareceu. Eu não deveria estar surpresa porque sei que você gosta bastante de ficar em casa. Somos bem diferentes quanto a isso. Ensaiei uma, duas, três vezes antes de ter coragem de abrir a janela e dizer alguma coisa. Eu não tinha nada a dizer, embora quisesse. Dizem que as coisas mudam depois da adolescência e eu infelizmente acredito nisso. Porque nós mudamos. Nosso amor infantil era tão fácil, poético e tinha tamanha intensidade que eu mal acreditava que estava acontecendo comigo. 

O tempo passou e nós fomos ficando para trás. Não que um tenha deixado o outro de lado, pelo menos não sempre. Fomos empurrados pela vida em direções bem diferentes. Mesmo assim eu nunca deixei de pensar em você, em nós. O que éramos e o que queríamos ser. Eu lembro do seu cabeço bagunçado e do seu beijo suave de despedida. Eu lembro a ponto da saudade apertar o peito de um jeito insuportável. Sempre afoguei ela com umas doses de tequila, mas essa noite não. Essa noite eu engoli o orgulho e te disse qualquer besteira.

Você sorriu, eu imagino. Aquele sorriso como quando suspira meu nome. Aquele sorriso de quem não acredita como minha mente pode ser viajada e maluca. Mas ela é. E você a entendia antes de tudo isso mudar. Não que eu acredite em filmes de romance e toda aquela melação das telas de cinema. Não que eu queria aquele beijo de chuva ou aquela serenata de madrugada. Eu fico feliz por te ver tocando violão via Skype e me mandando uma mensagem de voz indecifrável via Whatsapp. Embora eu não queira acreditar, acho que nossa história daria um belo filme.

Dizem que existem vários tipos de amor e que cada um tem a sorte de encontra-los pela vida. Eu encontrei você. Eu amei você. Você me encontrou e me amou de volta, tenho certeza. Me amou mesmo dizendo que não sabia o que era esse sentimento. Me amou como se eu fosse única. Eu te decepcionei. Nós nos decepcionamos. Dissemos coisas que jamais deveríamos ter dito um ao outro. Negamos abraços que jamais deveriam ser negados. Guardamos beijos que imploram até hoje pela liberdade.

Com você foi verdadeiro, não tenho dúvida. O sentimento dentro do peito é o mesmo de quando éramos crianças. Guardo você com carinho enorme no peito e uma saudade sem limite que espero poder matar logo. 

Talvez eu te ame apenas para te manter aqui dentro, sabe? Como sempre foi.  

Talvez eu me case com um gringo que veio visitar minha cidade e você encontre uma loira simpática no trabalho. Deixo na mão do destino, porque eu só quero te ver feliz. Seja comigo ou não. 

No fim das contas eu sei que nós teremos uma imensa e dramática história de amor para contar.

E aí vou olhar para trás e dizer: cara, valeu a pena.



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2 comentários

  1. Ai eu irei dizer: cara, que texto FO-DA!
    A gente sempre tem mil coisas pra dizer, mas elas se embolam na garganta e cadê que conseguimos?!

    http://jurodemindinho.blogspot.com.br

    ResponderExcluir

Comentários

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