cinema

Filme: Beasts of no nation

14:23

Imagem de popcorn, heart, and food

"As pessoas estão morrendo assim todos os dias. Todos os que conheço estão morrendo. E penso, se essa guerra um dia acabar, não posso voltar a fazer coisas de crianças."


Sabe aqueles filmes que cortam o coração? Com personagens humanos e frágeis, com aquelas cenas crus e realistas que parecem dilacerar o coração com a crueldade do mundo? Beasts of no nation é exatamente esse filme. Aquele que você termina e continua pensando por horas e horas porque simplesmente levou um tapa na cara.

O primeiro filme produzido pela Netflix tem como protagonista Agu (Abraham Attah), um garotinho que mora em um país africana (não é dito onde) que está passando por uma guerra civil. Após se separar da família, Agu é encontrado por uma milícia e é obrigado a se tornar um rebelde para sobreviver.


Filmes com essa temática são sempre muito interessantes e emocionantes, mas geralmente mostram o outro lado, o lado dos “mocinhos” geralmente não africanos que tentam sobreviver em meio essa guerra cruel e sanguinária, como “Diamante de sangue”, por exemplo. Em que você vê algo desses “exércitos de crianças” por conta do sequestro do filho de Solomon, mas não tem todo aquele universo explorado realmente. Não significa que é ruim, gosto muito de Diamante, mas o foco é outro. Aqui, a perspectiva é totalmente diferente, você vê com todos os detalhes e entranhas de como essas milícias funcionam de verdade, e percebe que realmente não dá para julgar.

Agu é uma criança, como tantas outras que compõem o grupo, uma criança que é obrigada a cometer atrocidades que ser humano nenhum deveria ser submetido. Sua narração está presente em boa parte do filme, o que é ótimo, pois te orienta a enxergar pelos olhos dele. Não é fácil para ele também, mas ele não tem escolha, ele quer apenas sobreviver.


Produção excelente, história poderosa, típico de originais Netflix. Ótima fotografia, com excelentes atuações, tanto por parte das crianças quanto de Idris Elba, excelente como o comandante feroz e cheio de discursos paternos da milícia.

A história é daquelas tristes e complexas que fica você refletindo e refletindo, a idéia de não especificar o país em que o filme ocorre é muito poderoso, pois se pensarmos a fundo, nos remete a aquela reflexão que já vimos em muitos outros filmes, “é apenas mais um africano morrendo na África, não importa onde, é apenas mais um”, não há identidade, nem proximidade, apenas morte. Também nos leva a pensar na inutilidade da guerra, não importa aonde, nem quem é contra quem, não há lados vencedores de fato.


O fato de o protagonista ser uma criança ressalta muito as atrocidades ocorridas, porque se fosse um soldado adulto já te incomodaria, imagina um garotinho que apenas gosta de brincar com os amigos no fim da tarde? A empatia é maior? Por quê? Porque dessa forma a realidade pode “se aproximar” da sua, e você começa a considerar Agu e os demais como possíveis conhecidos.


Não é o melhor filme do gênero, mas é muito bom, com um roteiro feito para chocar e que não tem o objetivo de te alegrar ou apenas entreter, ele vem para mostrar uma realidade triste e miserável, com teor atemporal sobre a perda de inocência, mostrando uma das facetas mais feias e cruéis da humanidade.


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2 comentários

  1. Filmes assim são importantes pra mostrar como a sociedade é egoísta, onde quem tem "poder" quer obrigar o menos favorecido a ser uma coisa que não é, apenas por conta do dinheiro. Sim, porque no fim das contas é sempre o dinheiro.

    Belo post e ótima dica!

    beijos
    http://jurodemindinho.blogspot.com.br

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Comentários

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