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Série: American Crime Story

12:18

Imagem de blue, chill, and day

Quando o jogador de futebol americano O.J. Simpson foi acusado de assassinar a ex-esposa e o namorado, o país parou para acompanhar seu julgamento. O “reality show” do momento, transformado em um circo de suposições pela defesa se transformou em série nas mãos do queridinho da FOX, Ryan Murphy.

American Crime Story foi uma das melhores surpresas da mid season de 2016 e mostrou muita qualidade e debate. Murphy, responsável por The normal Heart, American Horror Story, Scream queens, Glee e da recém anunciada Feud, é um nome conhecido e sabe diversificar bastante em suas produções. Fã de antologias (séries que possuem enredos e personagens diferentes em cada temporada, exemplo, American Horror Story e True Detective) Ryan sempre está mudando a abordagem ou gênero das historias que gosta de contar.


Através de 10 episódios muito bem trabalhados conhecemos não só o julgamento de O.J., muito presente em qualquer meio de comunicação da época, mas também os diversos elementos e coadjuvantes que compõem a história.

A série tem um desenvolvimento magistral de todos os seus personagens. Claro que o elenco estelar e competente sob a batuta de Ryan não daria errado, mas é surpreendente o desenrolar da história, mesmo para aqueles que já conheciam o desfecho da mesma. O roteiro é de tirar o folego, os diálogos eloquentes e bem trabalhados prendem, conquistam e muitas vezes indignam o espectador.

Sarah Paulson é a estrela do show, rouba qualquer cena e diálogo. Depois de sua atuação excepcional como Lana Winters na segunda temporada de American Horror Story: Asylum, duvidei que alguma interpretação pudesse ultrapassar ou até mesmo alcançar a personificação de Sarah como Lana, devido a tamanha perfeição em sua atuação. Foi assim que me surpreendi com a promotora Marcia Clark, Sarah está exuberante no papel. Todo sofrimento e angustia que Marcia passou com a exposição da mídia, sua luta na justiça pelos filhos e o pulso firme que possuia no tribunal são equilibrados e brilhantemente passados para a tela. Atuação digna de Emmy.


Muitos outros nomes conhecidos fazem parte do projeto e entregam ótimos trabalhos. John Travolta, Cuba Gooding Jr., David Schwimmer (eterno Ross Geller de Friends), Courtney B. Vance, Nathan Lane, Kenneth Choi, Bruce Greenwood, Sterling k. Brown entre outros, são destaques no elenco.

Cuba soa exagerado no começo, por não conhecer muito da pessoa de O.J, não sei dizer se o personagem pedia isso, se O.J. realmente era todo exagerado e “chorão”, mas no começo isso parece destoante. O personagem vai se adaptando através da temporada, mas nesse desenvolvimento se torna cada vez mais irritante. A cada momento que seu personagem solta uma lágrima ou uma frase cínica, dá vontade de saltar na tela e estrangula-lo, se o objetivo era mesmo indignar o espectador com sua atuação devido tamanho cinismo do personagem, a interpretação se saiu muito bem.


John Travolta está bizarro como o primeiro advogado contatado por O.J., Robert Shapiro. John apresenta um personagem arrogante e capaz de dar calafrios em qualquer um com seus trejeitos.

Courtney B. Vance intérprete de outro advogado de O.J., Johnnie Cochran, bate de frente com a atuação de Sarah Paulson e também é digna de prêmios. Um personagem que vai se construindo aos poucos e que vai se tornando notável através da temporada. No começo é totalmente compreensível, depois se mostra cínico e repulsivo diante do público.


A fotografia é exuberante, adoro giros de câmera quando bem feitos, sem aquela “tontura” causada às vezes por giros desleixados. Muitas cenas assim ocorrem no tribunal de forma limpa e sincronizada. As técnicas de direção também são plausíveis de reconhecimento, o requinte na produção é surpreendente.

O episódio focado nos jurados também é essencial (A Jury in Jail), uma visão diferenciada que geralmente nunca temos, mesmo em séries de advogados ou com tribunais presentes. Os jurados sempre são peças importantes em qualquer julgamento, geralmente as mais importantes, mas nunca possuem tempo suficiente de desenvolvimento na tela, a não ser que se trate do protagonista. Aqui pudemos ter uma visão abrangente das pessoas que iriam decidir tudo.


A recriação dos programas e jornais também é algo notável, podia-se usar cenas reais, daria sim um tom de realismo, mas também exigiria menos tempo e trabalho. Tudo isso foi recriado e de forma muito bem feita.

Outra coisa que dá requinte à produção é a preocupação com a aparência dos personagens. Os atores serem parecidos ou não com as pessoas reais não tem uma importância muito grande à uma produção, afinal o que importa é que a alma do personagem esteja ali. Mas a preocupação com isso é de se admirar, muitos dos personagens são incrivelmente parecidos com as pessoas reais, não é de fato essencial, mas digno de nota.


O andamento da história é fantástico, a trama vai crescendo e você vai se viciando e se interessando cada vez mais. Quando a temporada terminou senti um pedacinho de mim indo embora. Apesar de já ter sido renovada, por se tratar de uma antologia teremos uma nova narrativa real na próxima temporada, e me despedir dessa história e desses personagens foi doloroso, apesar de odiar a maioria, como O.J e sua corja de advogados. Foi algo sem igual acompanhar essa temporada. Apesar de ter pouco tempo ultimamente, era uma das poucas séries que eu não deixava atrasar na grade.


O roteiro forte, os excelentes discursos e a produção competente me conquistaram fortemente. Apesar de muito elementos favoráveis eu não tinha grandes expectativas, os teasers e imagens que foram divulgadas antes de seu lançamento não aparentavam nada de extraordinário, mas a série veio com tudo e se transformou em uma das minhas favoritas.


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