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Justiça - Primeiras impressões

15:20



Justiça, nova minissérie da Globo, conta a história de personagens que moram no Recife e que são presos por diferentes crimes no mesmo dia. Sete anos depois, Vicente, Fátima, Rose e Maurício saem da cadeia e buscam reconstruir suas vidas. Cada um seguirá um caminho diferente, um pretende construir uma família, outro busca vingança, também há a procura de Rose por justiça para a amiga, entre outros. A série não possui apenas um protagonista, os quatro personagens centrais apresentados nos episódios de 1 a 4 possuem relevância igual na trama. Todos se esbarram em determinados momento dos episódios, a colisão entre a vida daquelas pessoas leva a pensar como as consequências de nossas ações são sempre mais reais do que imaginamos e em efeito dominó podem resultar em sequelas cada vez maiores.

A trama não trata de leis ou processos jurídicos, pelo menos não até agora, mas sim do conceito de justo sob o ponto de vista da ética e da moral. Perdão, vingança, preconceito e arrependimento são alguns dos assuntos pautados.


Os teasers e trailers divulgados da minissérie eram ótimos, logo fiquei ansiosa pela estreia e as expectativas eram altíssimas. É incrível como ainda sim consegui me surpreender com essa primeira semana de exibição impecável, a qualidade da produção é de deixar o queixo cair.

As críticas sociais e discussões estão presentes em todos os momentos dos episódios, o roteiro muito bem estruturado, nos faz caminhar por diversos assuntos polêmicos e delicados como racismo, estupro, vingança, crime, etc. O uso de frases de efeito nos diálogos dos personagens não soam de forma brega ou mecânica, há muito cuidado e suavidade em suas performances.

A direção e a fotografia são espetaculares, nas primeiras cenas do episódio 1 já dá para notar a qualidade de enquadramentos e ângulos de filmagem. Aliás a diferença de visões em um mesmo acontecimento te fazendo se situar de diversas perspectivas diferentes é fantástica, assim a trama vai se construindo muito bem aos poucos e não causa cansaço.


A trama transita entre passado e presente, técnica comum em filmes e séries e muito bem utilizada aqui, mas não muito conhecida dos espectadores de Tv aberta e principalmente de novelas, onde flashbacks são utilizados com técnicas bastante diferentes. Por isso para o público mais leigo é bem fácil se impressionar com as características com que a minissérie decide contar sua historia. Muito satisfatória, diga-se de passagem, a elaboração dinâmica do enredo conquista e muito, fazendo os episódios passarem voando e conquistando o público.

A série possui um tom bem pesado e dramático, buscando chocar e mexer com o espectador. Mesmo quando o acontecimento já é esperado, por conta de certos “spoilers” dos trailers, ainda sim se torna chocante, nos impressionamos com todos os pontos levantados sobre a vida de nossos personagens.

Há sempre uma tensão no ar, não importa quão felizes estejam os personagens você sente que algo de ruim irá acontecer.


A trilha sonora é ótima, principalmente no primeiro episódio, o equilíbrio entre trilha nacional e internacional funcionam muito bem e “Hallelujah”, música tema da série, combina com todos os momentos em que é adicionada.

As atuações estão de tirar o chapéu, Débora Bloch arrasa no primeiro episódio como Elisa, uma mãe que viu a filha ser assassinada e agora busca vingança pela pena curta do culpado. Nos demais episódios, através do crescimento das tramas paralelas conhecemos os personagens de Adriana Esteves (impecável) como a empregada doméstica Fátima, Jéssica Ellen como Rose, Cauã Reymond interpretando Maurício e participações de Marjorie Estiano, muito bem como a bailarina Beatriz, e Marina Rui Barbosa, filha de Elisa.


O episódio 4 focado em Maurício e Beatriz é o mais fraco da primeira semana de exibição. Não é ruim, o casal possui uma performance muito sensível, no entanto não chega na qualidade dos primeiros, provavelmente por ser a história que mais linka com as demais e também por ser muito divulgada pelos trailers, sendo a narrativa que mais me interessava, mas que não entrega todo o prometido. Apesar de uma premissa interessante e um começo de episódio excelente, a trama é simples e se desenvolve menos que as demais histórias. Outro ponto é que o episódio é demasiadamente corrido em relação aos três primeiros, apesar de maior, o quarto episódio tem o dever de juntar todas as histórias e finalizar a apresentações dos personagens. Com isso ao episódio corre muito em pontos que deveriam ser melhor explicados.  

Ao fim do quarto episódio temos toda a linha cronológica do dia das prisões formada, todos os personagens já foram apresentados e fora da prisão buscam suas resoluções. Ate aqui a minissérie que terá no total 20 episódios se mostrou impecável, apesar de inverossímil os 4 personagens cumprirem exatamente 7 anos de prisão, sendo que os crimes são totalmente diferentes, ainda podemos esperar que haja uma explicação plausível para o fato, afinal, ainda estamos no começo. E com o início espetacular de Justiça, esperamos que algo ainda melhor venha pela frente.


A trama consistente, qualidade técnica, trilha melancólica, atuações intensas e os interessantes ganchos dos episódios lançados até agora, nos apresentam uma promissora obra. Para os que já são fãs de séries há tempos, há a consciência de que histórias fragmentadas e com diversos personagens protagonistas podem desandar se não trabalhadas com atenção e cuidado, mas por estarmos tratando de uma minissérie esse medo se torna menor. E inves de pensar no que pode dar errado, podemos dizer que até aqui Justiça vem caminhando muito bem e promete ser um marco na TV brasileira, que carece de obras nacionais televisivas menos caricatas, clichês e previsíveis.


Não é sempre que vemos séries e minisséries nacionais, principalmente na Tv aberta, o que já é de se elogiar e a qualidade que Justiça vem mostrando até agora é de orgulhar. Gosto muito do cinema nacional, tenho muitos filmes favoritos e reconheço sua qualidade, mas a tv ainda muito focada nas novelas carece de grandes produções como as grandes séries internacionais. Com o que Justiça fez nesses episódios iniciais e pode realizar até seu encerramento, ao lado do lançamento de Supermax, nova série de terror prevista para setembro, também produzida pela Globo, será que estamos falando de uma nova fase da televisão brasileira? 

Eu realmente e esperançosamente espero que sim.





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