5 de set de 2016

Atende o telefone



Alô? 

Olá, tudo bem? Sei que é estranho te ligar uma hora dessas, imagino que você esteja ocupada. Mas eu precisava te dizer uma coisa ou duas. Aproveitei que a Lua está reluzente lá em cima, como no dia que nos conhecemos. Saí lá fora, da uma olhada.

Me lembrei de nós dois sentados no banco da praça. Eu dizendo que você era linda, só para poder ver suas bochechas ficarem rubras. Quando fingi gostar do seu livro preferido, para que pudéssemos conversar sobre ele no nosso segundo encontro.

Eu tentei, mas Paulo Coelho é muito chato. Me desculpa.

Eu tava aqui lembrando de quando fui conhecer os seus pais. Como eu tremia. Você sabe que uma lembrança puxa a outra né? Então comecei a pensar nos dias que você fugia de casa para dormir aqui comigo e roubar todo o meu travesseiro. Eu odiava isso, mas amava você.

Aliás... bom, deixa para lá.

Ah, eu me lembrei também que seu sorvete preferido é o de flocos, com uma pitada extra de chocolate por cima. E que seu cabelo é engraçado quando você acorda, sempre de mau humor.

Lembro do seu sorriso quando me olhava fazendo qualquer besteira do dia a dia da sua risada maluca no meio da rua quando eu quase caí na porta do shopping. Eu fiquei tão bravo aquele dia, como pode rir de mim daquele jeito? Pensando bem, acho que deve ter sido bem engraçado mesmo.

Quanto tempo faz, um ano? Dois?

Os dias passam, né?

Mas eu não queria te atrapalhar. Liguei para dizer que sinto sua falta.

Mais do que você possa imaginar.



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