dica

Filme: Colonia

16:18


Ao longo de toda sua história, apenas 5 pessoas conseguiram fugir de Colonia Dignidad, uma suposta missão de caridade que na verdade se tratava de um culto fanático religioso palco real de atrocidades da ditadura chilena durante 40 anos.


Lena e Daniel estão no Chile durante o golpe realizado por Pinochet em 1973. Quando Daniel é levado para Colonia Dignidad pela polícia secreta, desesperada e sem ninguém a recorrer, Lena resolve se juntar ao grupo religioso, a fim de tentar libertar o namorado.

O suspense protagonizado por Emma Watson e Daniel Brühl, se sustenta no romance como base para a trama, e talvez esteja aí seu maior erro. Apesar de bom e intenso, o contexto histórico vez ou outra é deixado de lado para dar enfoque no amor dos protagonistas, desenvolvido rapidamente no início da trama, mas de forma crível. Quando o filme foca no amor se torna deveras genérico, os personagens são empáticos e o amor bonito e singelo, mas já vimos isso tantas vezes e em tantos lugares, o trunfo do filme está realmente em todos os momentos em que as atrocidades são realizadas na Colonia, algumas tão chocantes a ponto de nem conseguirmos acreditar.


O início apressado incomoda um pouco, a vontade do filme de chegar logo em Colonia Dignidad faz com que a história praticamente corra até o ponto em que a garota se infiltra na comunidade, mas depois toma um ritmo mais tenso e envolvente.

O suspense é bem instaurado, acompanhado das atuações competentes de Emma e Daniel que passam muito através de sua atuação e especialmente olhares. A personagem de Emma, principalmente, nem sempre está em contato com outro personagem para que se explique através de palavras, muito disso vem através de olhares e expressões.


Como diria a Morte em A menina que roubava livros, “Os humanos me assombram”, apesar de vermos as barbaridades que os humanos cometem todos os dias, ainda conseguimos nos impressionar com certas coisas. Colonia Dignidad é cenário de tortura, misoginia e pedofilia, o líder Paul Schäfer causa repulsa todas as vezes que entra em cena, decorrente da ótima interpretação de Michael Nyqvist com as asquerosas atitudes do personagem, infelizmente real.


O fim do longa é demasiado hollywoodiano, o que prejudica de certa forma a seriedade e qualidade que o filme já havia estabelecido, o lado bom é que a tensão presente faz com que tudo valha a pena e você se sinta aliviado após os créditos finais. Mas isso não te impede de refletir e continuar imerso mesmo que por pouco tempo naquela história extraordinária de um lugar tão horroroso e arrepiante que realmente existiu.

Um ponto que de fato incomoda é o exagero do inglês em um filme que se passa no Chile e mais precisamente em uma colônia alemã, apesar de possuir os sotaques nativos vez ou outra é algo a se levantar, falta refinamento na questão.

O filme transita do drama ao romance sempre com o suspense como pano de fundo, em todos os instantes você sente que algo de ruim vai acontecer. Momentos que possamos prever ou não, não chega a importar, porque felizmente o espectador fica preso a historia e principalmente aos personagens que causam grande empatia.


O filme possui seus erros, mas nada grande demais a ponto de atrapalhar a experiência. A história forte cumpre seu papel e cativa independente dos arcos mais focalizados. Vemos que vezes ou outras as pessoas esquecem o que de fato acontecem em ditaduras, todas as mortes, repressões, tristeza e violência, é sempre bom lembrá-las ou mesmo informá-las de atrocidades como esta. Apesar de não se tratar de um filme político, Colonia exemplifica bastante o que quer passar, com o que vem ocorrendo no nosso país ultimamente, será que não é um filme que veio em boa hora?


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