19 de jan de 2017

Talvez não seja tão fácil falar de amor


Há algum tempo atrás as palavras fluíam do peito pra língua, e da língua a ponta o dedo como se o caminho estivesse livre e as palavras tivessem pressa. Do fundo da gaveta tiro minha maior penitencia: um bloco vazio com aspas e reticencias.

Nem o amor diz e deixa dito. 

No verso mais longo dizia-se: “Um dia o amor aquece e nossos ossos param de ranger, e entendemos que a junção dos corpos e das almas formam raízes e surgem faíscas, que hora queimam, hora aconchegam. O amor tem disso.” Então foi fácil lembrar onde foi que eu parei e deixei as linhas em branco, onde começa a ser difícil falar de amor. 

Lembro-me dos dias em que eu escrevi sobre amar ao meu homem e a como ele tem sido bom pra mim, e dos dias em que rasgava as folhas nas quais eu queria dizer como a ferida era potente. Reconhecemos a magnitude de algo que nos transforma. Com tudo, admito, falar de amor não é tão fácil agora, como quando eu achava que sabia do que ele se tratava. 

É fácil falar de sorriso, de momento. É fácil falar do cheiro que tem atrás da orelha, de quando a mão bate na coxa e arrepia a espinha. É difícil falar de choro no banho, de quando sua autoestima te derruba e você tenta ser o ser humano evoluído que trabalha bem com um relacionamento maduro. Difícil é saber que amor machuca, é utopia dizer que nunca. Mas é tão fácil aceitar, é tão fácil dizer, chega a ser fácil falar: amor é muito pra ser dito. 

Viva!



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