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Filme: Mulher-Maravilha

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Quando o avião do piloto britânico Steve Trevor cai em Themyscira, Diana descobre que uma guerra sem precedentes está se espalhando pelo mundo e matando milhares de pessoas, ela então decide deixar seu lar e lutar para acabar com o conflito. Em sua jornada ela aprende o alcance de seus poderes e sua verdadeira missão na Terra.

Depois de décadas de adaptações dos principais heróis masculinos da DC, finalmente o primeiro filme solo da Mulher-Maravilha chegou! O filme veio, fez bonito, e ainda deu um show de representatividade feminina. 

Diferente da Diana experiente que conhecemos em Batman vs Superman (leia resenha aqui), aqui conhecemos a princesa amazona ainda jovem e inexperiente, vivendo na ilha de Themyscira com a mãe Hipólita, rainha das amazonas, e sendo treinada pela tia Antíope. Percebemos que Diana ainda é inocente em relação à humanidade e vê tudo com olhos bons e doces.



O filme é maravilhoso, leve, envolvente, divertido e com um espírito aventureiro, além de ter uma enorme representatividade feminina, bem trabalhada e com personagens maravilhosas. Gal Gadot roubou a cena em Batman vs Superman, aqui ela dá mais um show de carisma e poder, além de ter muita presença em cena. Apesar de ter mais de 2 horas de duração, o filme não cansa em momento algum.

O primeiro ato é incrível, provavelmente o melhor, apresenta bem a mitologia da personagem, talvez até de forma didática demais, mas convencendo o espectador a acreditar naquele universo. As locações são lindas, a fotografia enche os olhos e as personagens e sequências de lutas são sensacionais. Aliás, o filme poderia ter explorado muito mais as amazonas, infelizmente elas aparecem apenas nesse ato, mas fazem um trabalho formidável.



Os conflitos internos de Diana vão surgindo durante o filme e ao serem explorados é cada vez mais fácil ser conquistado pela personagem, além disso, trazem bastante complexidade a ela. Diana aprende com todos os contatos humanos que tem, qualquer nova interação faz com que ela tenha experiências que resultam em novos questionamentos e sensações. Ela tem uma empatia muito grande e realmente se preocupa com a humanidade e justiça, ela é completamente apaixonante e admirável.

A direção de Patty Jenkins é ótima e consistente, ela explora muito bem as cenas de ação, com ótimas coreografias de luta, e não faz com que o grande uso de slow motion se torne cansativo. Apesar da história de origem da heroína não ter um formato inovador, apresentando sua jornada da maneira que já vimos em outros filmes de origem, a condução de Patty nos dá a sensação gostosa de que estamos vendo algo totalmente novo, você se sente imerso na história e acompanha tudo com muita vontade e entusiasmo. 



Além disso, longe de um olhar machista, Patty não faz com que a câmera explore ângulos que sexualizem as personagens. Mesmo em closes ou enquadramentos fechados a câmera busca enaltecer e mostrar a força daquelas mulheres, principalmente Diana, nunca explorando o corpo ou roupa curta das personagens. 

Como comentei na resenha de Sweet Vicious (resenha aqui), obras assim precisam de mulheres a frente dos projetos, porque é apenas assim que se faz uma história que realmente representa e entende de fato o universo feminino. É difícil para a maioria das pessoas entenderem, mas assistir determinadas cenas, como quando Diana fica a frente do exército e conduz a batalha ou a primeira sequência de luta do filme em uma praia em que as amazonas combatem a invasão alemã, é totalmente diferente quando se é mulher. Elas emocionam de forma surpreendente, porque representam muito mais que apenas uma cena de ação, elas são intrínsecas e inspiradoras porque elevam a representativa feminina a outro nível, um ainda não explorado o suficiente na sétima arte.



Outro ponto positivo é a dosagem dos alívios cômicos. Eles existem e são engraçados, mas não aparecem o tempo todo a ponto de irritar ou quebrar o clima de cenas sérias ou emocionantes. O filme não se torna irritante ou é difícil de ser levado a sério, há comédia, no entanto é bem dosada e equilibrada com o resto. O ritmo é natural e Patty Jenkins mostra a todo momento que sabe o que está fazendo.

Mulher-maravilha também traz grandes discussões, além da questão feminista, bastante presente e bem trabalhada, explorando não apenas Diana e as amazonas, mas também o tratamento que as mulheres recebem em sociedade ao conhecermos a personagem de Etta, também há grandes questionamentos acerca da inutilidade da guerra e o preconceito racial, explorados através dos personagens de Saïd Taghmaoui, Ewen Bremner e Eugene Brave Rock.



O romance entre Diana e Steve Trevor me preocupava muito, fiquei com medo que o filme esquecesse o resto e se tornasse uma história de amor, ou que o protagonismo de Diana fosse roubado por Steve e seu romance, mas felizmente as coisas foram bem diferentes do que eu esperava. O romance dos dois é fofo e se resume mais a como Diana vê a humanidade. Ao ir para o “mundo real” ela descobre como o sofrimento, a ganância e maldade estão presentes no ser humano e que não somos incorruptíveis, mas sua relação com Steve e seus companheiros de luta a faz perceber como a humanidade, apesar de tudo, também pode ser boa, e que é justo nos dar uma chance. 

Além disso, o relacionamento deles é um ótimo exemplo, porque Diana é independente, ela pode ouvir conselhos e sugestões, mas vai fazer o que julga certo. Então não importa se ele vai tentar controlar suas ações ou querer tomar a frente, no fim das contas ela vai fazer o que quiser.

Ao ler um artigo maravilhoso do Nó de oito sobre estereótipos também percebi que o relacionamento deles vai contra o preconceito que muitos têm de que mulheres só podem ser uma coisa. Se quiserem ter uma carreira precisam abnegar de relacionamentos e filhos, se querem ter filhos não podem ser nada além de mães, e por aí vai. Diana é uma heroína e tem um par romântico, e daí? Super-heróis masculinos também têm interesses amorosos, então ao ver o filme percebi que a presença de Steve é boa, porque tira aquele olhar sexista de que mulheres fortes não amam, e que para serem fortes precisam ser frias, amarguradas ou encalhadas. Além disso, ele é um bom personagem.



Apesar do tom do filme mudar perto do final, lembrando o visual mais sombrio presente nas obras de Zack Snyder, como o próprio Batman vs Superman, para mim é bastante plausível a cena final e última batalha do filme. Vi bastante reclamação em relação a isso, mas achei justificável depois de tudo o que vimos ao decorrer da trama, podia ser melhor, porque os vilões são pouco explorados e não possuem a profundidade dos demais personagens, mas não foi ruim. A última cena, com cara de wallpaper, pode ser brega, mas quase todo filme de super-herói tem uma cena do gênero, então não fiquei muito incomodada, já esperava por algo assim. 

A espera valeu a pena, além de termos poucos filmes protagonizados por super-heroínas, Mulher-Maravilha é marcante. Além de dar fôlego ao universo DC que vem tropeçando com seus últimos lançamentos, o filme nos apresenta uma história que com simplicidade trabalha muito bem seus temas, tem poder para inspirar e já conquistou seu espaço.


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