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Filme: Dunkirk

12:52


Durante a Segunda Guerra Mundial, o exército nazista encurrala soldados britânicos e aliados em Dunquerque, na França. Apresentando narrativas no céu, na terra e no ar, o novo filme de Christopher Nolan conta a história da operação dínamo, que tinha como intuito resgatar esses soldados.

A trama é bastante tensa, do início ao fim ficamos apreensivos com os acontecimentos em tela. A trilha impecável de Hans Zimmer é uma das grandes responsáveis por tanta tensão, é presente durante todo o filme e age como personagem, complementando a direção de Nolan, que é bastante objetiva, mas que sozinha não conseguiria passar tanto apreensão ao espectador.

As atuações são ótimas, inclusive a de Harry Styles que não faz feio em sua estreia nos cinemas, no entanto ninguém tem tempo em tela suficiente para se destacar. Não há protagonismo, os personagens possuem quase o mesmo tempo de cena e partilham a tela em três narrativas diferentes. A verdadeira protagonista é a guerra, e ela é importante demais para deixar a trama centralizada em apenas um personagem.


Eu entendo as críticas em relação ao desenvolvimento dos personagens, realmente sabemos pouco sobre todos eles, às vezes alguns são descartáveis e acabamos nem lembrando o nome, mas para mim isso é bastante plausível. Exceto por George (Barry Keoghan) que realmente precisava ser mais explorado para que importasse à historia e a quem assiste, não acredito que seja necessário conhecer a vida, passado ou o possível futuro daqueles soldados para que o espectador torça que eles consigam escapar com vida. Afinal, precisamos torcer que eles cheguem em casa simplesmente porque eles são seres humanos como eu e você e não merecem morrer.

Se importar com os personagens é subjetivo, depende de cada espectador, mas é possível sentir o desespero e o medo de cada um, e mesmo que não nos identifiquemos com eles ou saibamos mais sobre suas vidas, sentimos empatia e nos emocionamos também. Por isso, acima de tudo, Dunkirk não é apenas uma obra de guerra, é um filme que fala sobre humanidade.

Além disso, as cenas de guerra não são glamourizadas, não há grandes embates, nem a necessidade de vilanizar personagens, ou transformar nazistas em antagonistas caricatos. Não há julgamentos ou definições de mocinhos e bandidos, é um filme real, com cenas cruas, bem feitas e angustiantes.


Alguns dos filmes de Nolan possuem pontapés complexos, mas que ao decorrer da trama acabam se tornando mastigados, muitas vezes extremamente explicativos, e que subjulgam o espectador. Porém isso não acontece aqui, não há explicações exageradas, ou diálogos expositivos demais, na verdade nem há muito diálogos, o visual é extremamente importante para a construção da história e o próprio espectador vai montando a ordem das narrativas apresentadas. Às vezes a cronologia fica confusa, mas é interessante juntar aos poucos os acontecimentos sem saber ao certo o que ocorrerá a seguir em cada trama.

As reviravoltas são bem feitas, não soam forçadas ou aparentam existir apenas para que sempre ocorra um plot twist genérico. Grande parte dos acontecimentos são plausíveis, afinal estamos falando de uma história real, e a maioria é impactante.


Dunkirk impressiona principalmente pelas técnicas bem executadas, a fotografia, efeitos, sonoplastia e trilha se encaixam perfeitamente. Indiscutivelmente é um filme para se assistir no cinema, você se sente mais envolvido com a história e a imersão é muito maior, principalmente para os que podem conferir em IMAX.

Há coisas que poderiam ser mais exploradas, como por exemplo, a irracionalidade da guerra, e como os dois lados sempre saem perdendo. Esses assuntos são pincelados, no entanto se fossem mais aprofundados poderiam tornar o filme ainda maior, mais importante e com "lições" mais marcantes.


Dunkirk pode não ser a melhor obra da filmografia de Christopher Nolan, mas é um ótimo filme sobre sobrevivência, que busca fugir dos clichês do gênero, emociona na medida certa, nos deixa preso a cadeira e impressiona. Vale o ingresso!


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