17 de nov de 2017

Errar é melhor que acertar



Na minha vida até agora tudo deu errado. 

Eu queria casar com meu primeiro namorado. Nós passaríamos a lua de mel em Amsterdam, teríamos um lindo casal de filhos, moraríamos em uma casa bonita em um bairro bom. Eu trabalharia em casa, como escritora, e cuidaria das crianças, enquanto ele seria um bem sucedido sei lá o que, tudo isso depois de terminarmos a faculdade, claro.

Os planos falharam, bem antes disso, quando eu ainda estava no colegial. Eu vi meu mundo, meus planos, minha vidinha dos sonhos, meu futuro todo desmoronar.

Faz tanto tempo que parece que foi em outra vida. E durante boa parte desse tempo, eu não tive vida. Não tive perspectiva de futuro. Eu fui vivendo, dia após dia, semana após semana, ano após ano. Eu tinha tanto medo do futuro desconhecido que me aguardava que nem tive ânimo de me conhecer e reconhecer as coisas que eu gosto e o que eu quero para mim, para o meu futuro. Independentemente de quem quer que seja e sem seguir exemplos previamente impostos. 

Eu costumava dizer que meu último namorado tinha o jeito errado de me fazer as coisas certas. É difícil, no mundo em que fui criada, conceber vôos altos sozinha. Por isso talvez eu mesma tenha aprendido a fazer do jeito errado para descobrir o que é certo para mim.

E se não tivesse dado errado com meu namorado do colegial e meu lindo futuro de faz-de-conta, provavelmente eu não teria apanhado tanto da vida, mas seria isso que eu teria: faz-de-conta. 

No final das contas, tudo dá errado para dar certo.


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