23 de jan de 2019

Paladar

                                                                             (Imagem: Pinterest)



Quase oito horas as noite, já estava pronta para sair com as minhas amigas. Você me liga, eu digo onde vou, você não se importa e desliga. Tudo bem, melhor uma noite de farra com as minhas amigas do que um macho que só quer me comer e nunca mais verei na vida.

Balada, luzes piscando e você. Cara, como isso aconteceu? Como uma boa escorpiana fui ao seu encontro. Mordendo a pontinha da garrafa de cerveja, seduzindo eu? Jamais! Agi como se fosse não tivesse me ligado. Oi, tudo bem? Como vai? E o emprego? Deixa eu te apresentar para as minhas amigas.

Tarde demais. Você me puxou para um canto e começou a me beijar. Seu beijo tinha gosto de menta. O meu, de cerveja. Tava muito gostosa essa combinação. Beijei o seu pescoço e senti o gosto do seu perfume. Você fez o mesmo. Nossos perfumes se misturaram com o sabor do seu chiclete e o gosto da minha cerveja.

Ou será que era ao contrário?

Duas horas, entre gostos e sabores. Vou procurar as meninas, disse. Vou procurar os caras e ir embora, você disse. Ok, respondi.

Encontrei elas dançando, muito bêbadas. Mas acho que toda aquela beijação já tinha me deixado sóbria, precisava de outro drink. Fui até o bar, pedi mais um drink, o garçom me olhou de cima a baixo. Eu sorri, meio que sem graça, meio com um ar de safada.

Que horas você sai? Perguntei.

Esse beijo tinha gosto de canela e o perfume tinha um sabor bem cítrico. 

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